domingo, 4 de abril de 2010

CHICO VIVE



Milton Medran* - medran@via-rs.net
Quando Chico Xavier nasceu, em 2 de abril de 1910, o espiritismo era caso de polícia. O Código Penal, promulgado 20 anos antes, previa de um a seis meses de prisão e multa de 100 a 500 mil réis punindo, indistintamente, espíritas, astrólogos, cartomantes e curandeiros. Para a lei tudo era a mesma coisa. Não se sabia o que era espiritismo, essa ciência de consequências filosófico-morais, surgida meio século antes, na França.
Nem Chico e seus familiares, católicos fervorosos, conheciam o espiritismo. Mas aquele menino nascido há 100 anos, na cidade mineira de Pedro Leopoldo, desempenharia um papel fundamental na consolidação da doutrina de Allan Kardec. Dotado de extraordinária mediunidade, desde pequenino via espíritos, conversava com eles e escrevia o que lhe ditavam. Com apenas 21 anos, publicou um livro de poesias psicografadas, atribuindo sua autoria a poetas famosos, já desencarnados, como Guerra Junqueiro, Casimiro de Abreu, Cruz e Souza e dezenas de outros. Críticos literários da época reconheceram naqueles versos o estilo de cada um dos poetas. Mais de 400 obras psicografadas viriam depois, ao longo dos 92 anos de Chico, até sua desencarnação, em 1992.
Bem mais que isso, Chico foi a expressão viva e serena do amor. Milhares de mães foram por ele consoladas, ao perderem filhos queridos. Sofredores do corpo e da alma receberam dele ajuda e consolação. O Brasil inteiro, reconhecido, homenageia agora o grande médium, no seu centenário. Sem dúvida, Chico vive. Vive no coração e na alma de cada brasileiro. Não há entre nós quem não tenha aprendido algo com ele.
* Jornalista, diretor de comunicação social do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre - Brasil.